O Q-SYS é a plataforma da QSC que reúne processamento de áudio, distribuição de vídeo e controle em um mesmo sistema, sobre rede Ethernet. Em um projeto de automação de sala com Q-SYS, o processador que trata o som é também o que recebe os comandos do painel de toque e aciona os demais equipamentos. Este texto descreve a plataforma em termos gerais, como a ATIV a usa e o que ela não resolve sozinha. A capacidade de cada modelo (canais, entradas, licenças) está na documentação da QSC, e é a ela que o projeto recorre.
O que é a plataforma Q-SYS
A peça central é o processador, que a QSC chama de Core. Nele roda um arquivo de projeto, criado no software Q-SYS Designer, que descreve o que o sistema faz: o caminho do áudio, com mixagem, equalização e cancelamento de eco; o roteamento de vídeo e de câmeras; a lógica de controle; e as telas que o usuário vê no painel. Em torno do processador ficam os periféricos de rede: interfaces de entrada e saída de áudio, amplificadores, câmeras, painéis de toque e pontos de conexão para notebook.
Os periféricos se ligam ao processador por switches Ethernet, e não por um cabo dedicado para cada sinal. Isso faz da rede uma parte do sistema, com os mesmos cuidados de qualquer áudio em rede: switch gerenciado, qualidade de serviço configurada e sincronismo de relógio. A plataforma também troca áudio com outros ecossistemas por AES67 e, nos equipamentos em que o fabricante oferece o recurso, por Dante.
Um único processador como cérebro de DSP e controle
Em muitas salas, o áudio é de um fabricante, o controle é de outro e a matriz de vídeo é de um terceiro. Cada equipamento guarda uma parte do estado da sala: qual fonte está na tela, qual microfone está mudo, qual é o volume. Quando o controlador envia um comando e o processador de áudio não confirma, os dois passam a discordar, e o painel mostra uma coisa enquanto a sala faz outra.
A preferência da ATIV, quando o porte e o uso da sala permitem, é concentrar o processamento de áudio (DSP) e o controle em um único processador. O estado da sala fica em um só lugar. O botão de mudo no painel e o mudo no processamento são a mesma variável, e não dois sistemas a sincronizar. O Q-SYS é uma das plataformas com que fazemos isso. Em outros projetos, a mesma lógica é aplicada com outra plataforma, de acordo com o parque que o cliente já tem e com a equipe que vai manter o sistema.
A concentração traz uma consequência a tratar no projeto: o processador passa a ser ponto único de falha. A resposta está na especificação. Define-se o que a sala faz se o processador parar, se haverá um segundo processador em reserva, como a configuração é guardada fora do equipamento e qual é o prazo de reposição, definido em contrato.
Cenas e sequência de operações na automação com Q-SYS
Automação de sala, na prática, é uma lista de estados e de transições. O usuário toca em “reunião por vídeo”, e o sistema liga as telas, seleciona a entrada, abre os microfones, ajusta o volume de partida e posiciona a câmera. Toca em “encerrar”, e tudo volta ao estado inicial. Cada cena é um conjunto de valores que o processador aplica de uma vez.
O que diferencia um projeto do outro é a qualidade dessa descrição. A ATIV escreve a sequência de operações antes de programar: o que dispara cada cena, o que acontece em cada equipamento, em que ordem, e o que o sistema faz quando um deles não responde. O documento é aprovado por quem usa a sala e serve depois como roteiro de teste.
A automação por presença e por agenda segue a mesma disciplina. Um sensor de ocupação ou a reserva no calendário leva a sala do estado de espera para o ligado, e a ausência de pessoas por um período definido a devolve à espera. A ANSI/INFOCOMM 4:2012 serve de referência para a matriz de estados de energia de cada equipamento.
Iluminação, climatização e sistemas do edifício
O processador da sala pode comandar equipamentos de terceiros, como telas, projetores, cortinas motorizadas e telas de projeção, por rede, por porta serial ou por contatos, conforme o que cada modelo oferece. Com iluminação, climatização e gestão predial, a integração costuma passar por um gateway ou por uma interface de programação (API), porque esses sistemas usam protocolos do mundo predial, como BACnet e Modbus. Quais integrações são possíveis em cada caso depende do que os dois fabricantes publicam, e isso é verificado no projeto, antes da compra.
Há um limite que não depende de plataforma. O relatório técnico AVIXA TR111.01:2019 classifica os sistemas de um edifício por criticidade, e o audiovisual é sistema de operação. Ele pode pedir uma cena de luz ou informar que a sala está ocupada, mas não comanda nem se sobrepõe a sistemas de segurança da vida, como o alarme de incêndio. O que cruza de um sistema para outro é listado na sequência de operações e combinado com o responsável pela automação predial. A página de automação e controle predial trata desse lado da integração.
Monitoramento e manutenção
Como os equipamentos estão na rede, o processador conhece o estado de cada periférico: se está presente, se reporta falha, se o áudio chega. Essa informação pode ser exibida em uma tela de diagnóstico, registrada e enviada à equipe de suporte.
O acesso remoto é combinado com a TI do cliente, com contas individuais e caminho de acesso documentado. As atualizações de firmware e de software da plataforma são testadas antes de entrar em produção, porque uma versão nova pode alterar o comportamento de um componente do projeto. A guarda do arquivo de projeto e das senhas e a propriedade da programação ficam definidas em contrato, e os arquivos são entregues com a documentação as built.
O que a certificação Q-SYS da equipe cobre
A equipe da ATIV tem certificação Q-SYS, obtida nos treinamentos da QSC. Ela atesta o conhecimento das pessoas sobre projeto e programação na plataforma, como descrito na página de certificações da ATIV, e não é um selo aplicado à instalação. Cada sistema passa por comissionamento, com a ANSI/INFOCOMM 10:2013 como referência para a lista de verificação: funções automáticas do controle, níveis de áudio, cancelamento de eco e itens de rede.
A escolha da plataforma vem depois do programa de necessidades, e não antes. Um exemplo de aplicação está no case do auditório multidisciplinar com automação Q-SYS, e a página de controle e automação audiovisual descreve o método. Para discutir um projeto, fale com a ATIV.
Fontes
Documentos usados como referência de projeto neste texto:
- Documentação pública da QSC sobre a plataforma Q-SYS.
- ANSI/INFOCOMM 4:2012, Audiovisual Systems Energy Management.
- AVIXA TR111.01:2019, Unified Automation for Buildings.
- ANSI/INFOCOMM 10:2013, Audiovisual Systems Performance Verification.
- AVIXA RP-C303.01:2018, Recommended Practices for Security in Networked AV Systems.
